Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

O Cruzeiro conseguiu, na Justiça, o bloqueio de R$ 6.861.243,06 nas contas do ex-presidente Wagner Pires de Sá e do ex-vice-presidente de futebol Itair Machado. A decisão de arresto cautelar, publicada pela 14ª Câmara Cível de Belo Horizonte nesta quinta-feira, foi divulgada inicialmente pelo jornal Hoje em Dia e confirmada pela Itatiaia que teve acesso ao documento.

“Assim, defiro o pedido de concessão de efeito ativo ao presente recurso, para deferir a cautelar de arresto vindicada, no limite de R$ 6.861.243,06 (seis milhões oitocentos e sessenta e um mil, duzentos e quarenta e três reais e seis centavos) em desfavor de todos os agravados [Wagner Pires e Itair Machado]”, informou o desembargador Marco Aurélio Ferenzini na decisão desta quinta.

No início de julho, o Cruzeiro acionou Wagner e Itair na Justiça pedindo o bloqueio de R$ 6.861.243,06 milhões a título de indenização. Na ação de ressarcimento, com mais de 230 páginas, o clube celeste acusa que teve os valores desviados “ilicitamente” dos seus cofres.

De acordo com a ação, o valor foi repassado à empresa Futgestão Assessoria Esportiva LTDA, que é de propriedade de Itair Machado. Ainda conforme o processo, entre fevereiro de 2018 e outubro de 2019, foram pagos R$ 4.928.947,00 à empresa a título de prestação de serviços. Além disso, foi repassado R$ 1.932.295,44 à Futgestão em premiações.

Por meio de live no dia 10 de julho, o presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, falou sobre o assunto. “Vamos correr atrás de tudo que for possível, seremos implacáveis contra quem fez isso contra o Cruzeiro. Já ajuizamos ação contra um outro ex-dirigente, com pedido de bloqueio dos bens e confiamos no trabalho da Polícia Civil e do Ministério Público. O sonho de todos é ver essas pessoas pagando criminalmente pelo que fizeram com o clube. Não vamos abrir mão de nada. E nós também vamos trabalhar para que os conselheiros que tiverem praticado irregularidades sejam expulsos”, disse.

Defesa de Itair

Na época, Itair se pronunciou por meio de nota. De acordo com o ex-dirigente, a “contratação irregular de serviços prestados na Gestão do Futebol não procede”, pois o “Estatuto do Clube não proíbe remunerar pelos serviços prestados, declarados e com os impostos já recolhidos” pessoas que não foram eleitas para ocupar cargos no clube.

Itair declarou ainda que não foi eleito para vice-presidente de futebol – foi indicado por Wagner após a eleição no fim de 2017. Além disso, foram criados outros três cargos através de portaria interna do clube: vice-presidente executivo financeiro, vice- presidente executivo comercial e marketing e vice-presidente executivo jurídico. O ex-dirigente disse ser estranho o clube não acionar também os outros profissionais.

“Causa estranheza, o fato de não terem ingressado com os mesmos pedidos em desfavor dos demais Vices Presidentes Executivos, que foram remunerados e nomeados no mesmo período pelo qual e descrito nessa ação temerária e pessoal”, frisou em nota Itair na época.

Wagner Pires

Já no início de agosto, o ex-presidente do Cruzeiro, Wagner Pires de Sá, havia entrado com ação contra o clube pedindo para que o processo contra ele fosse encerrado e acusou a Raposa de “má-fé”.

(Itatiaia BH)
Compartilhar via: