Por: Itatiaia BH

Foto: Lula Marques/AGPT

 

O diretor do site The Intercept disse, em entrevista à Itatiaia, que a divulgação de mensagens privadas de grupos da força tarefa da Lava Jato no aplicativo Telegram está apenas no começo. Nos diálogos, o então juiz federal e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, orienta o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol, como prosseguir  com a investigações da Lava Jato, criticando e sugerindo recursos do MPF. Moro negou em diversas oportunidades que trabalhava em parceria com o MPF.

“O arquivo é absolutamente gigantesco, de proporções que a gente ainda está tentando calcular, mas a gente sabe que tem muita coisa por vir. Muita coisa de interesse público. Então, nossa primeira preocupação é separar o que é de interesse público do que é, obviamente, da vida privada das pessoas envolvidas, porque isso, sem dúvida, o Intercept não vai divulgar”, disse Leandro Demori, diretor-executivo do site.

Conforme a reportagem publicada nesse domingo (9), a atuação coordenada entre juiz e procurador por fora das audiências fere o princípio de imparcialidade da Constituição e o Código de Ética da Magistratura. “Se depois de ler essa reportagem ele (Moro) não ver anormalidade eu realmente me preocupo com a visão de justiça que o ministro da Justiça tem”, disse Leandro.

O diretor também explicou que a decisão do site de não ouvir as pessoas citadas antes da publicação da reportagem foi por temer uma eventual censura.

“A gente preferiu ouvir as pessoas citadas depois das reportagens publicadas por dois motivos muito simples: um deles é o que o conteúdo fala por si. A gente não está ouvindo coisas de terceiros. São as próprias pessoas falando com elas, com seus colegas, seus amigos. Quer dizer, não tem como negar o que você disse sendo que você disse. A gente tem os chats e as provas todas. E o segundo motivo é que, nesse caso específico, a gente estava com muito medo que alguém tentasse impedir que o Intercept publicasse as histórias”.

Em nota, o ministro Sérgio Moro disse não ver qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto juiz e lamentou que a reportagem não indicasse a fonte das informações e o fato de não ter sido ouvido.

Já a força tarefa da Lava Jato declarou que os integrantes foram vítimas de ação criminosa de um hacker e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos sobre os fatos.

Ouça a entrevista completa:

 

 

 
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