Foto: Bruno Cantini/Atlético

O balanço financeiro de 2019 do Atlético ainda não foi aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube – reunião está marcada para o próximo dia 31 –, mas os números já foram analisados em um estudo da Pluri Consultoria divulgado nessa segunda-feira (20). A empresa destacou a receita recorde obtida no ano passado, mas ressaltando que o valor só foi atingido pela inclusão dos R$ 49 milhões referentes à doação do terreno da Arena MRV. O levantamento também alertou para o alto endividamento líquido do clube alvinegro apontando que a situação “permanece desafiadora”.

A receita de R$ 354 milhões foi a maior da história do Galo e superou em 37% os valores arrecadados em 2018. É o sétimo maior faturamento entre os clubes do Brasil analisados.

A inclusão da verba do terreno da Arena MRV reduziu em 74% o déficit do exercício, que foi de R$ 5,8 milhões, o terceiro menor entre os clubes brasileiros analisados.

Outro ponto positivo do estudo do balanço é o ganho do Atlético com a venda de jogadores. Em 2019, o clube arrecadou R$ 106 milhões, de longe o maior valor nos últimos dez anos analisados pelo levantamento da Pluri. Desde 2010, o máximo que o Galo tinha angariado com a comercialização de atletas era R$ 81 milhões, em 2018, aumento de 31%.

Já a dívida total do Atlético atingiu R$ 746 milhões no fim do ano passado, enquanto o endividamento líquido – débito global menos as receitas disponíveis em caixa – chega a R$ 656 milhões, valor 10% superior ao registrado em 2018 e três vezes maior do que a receita recorrente do clube, que é a arrecadação frequente do clube, ou seja, que exclui verbas eventuais, como as obtidas com venda de jogadores.

“Permanece desafiador o elevado Endividamento líquido de R$ 656 milhões, que apresentou alta de 10% no exercício e equivale atualmente a 3,3x a receita recorrente”, diz um trecho do relatório.

Nesta década, houve aumento de 78% no endividamento líquido do Galo que era R$ 368 milhões em 2011. O crescimento foi de 33% nos últimos cinco anos e de 26% nas últimas três temporadas, segundo o levantamento da Pluri.

Despesa com futebol foi quase o dobro de 2013, ano em que o clube conquistou a Libertadores

As despesas com futebol no Atlético bateram recorde em 2019 chegando a R$ 277 milhões, 35% a mais do que a temporada anterior. Comparando-se aos anos em que o Galo conquistou títulos importantes, houve crescimento de 89,7% em relação a 2013, quando o clube conquistou a Copa Libertadores, e 56% superior a 2014, quando o time foi campeão da Copa do Brasil.

A Pluri destacou ainda que os empréstimos e os financiamentos feitos pelo Atlético no ano passado cresceram 23% em relação a 2018 chegando a R$ 312 milhões.

Corte de gastos e “melhora da imagem”

Por fim, a Pluri lembrou em seu relatório que a atual diretoria do Atlético vem tomando uma “série de iniciativas buscando uma maior inserção no mercado e a melhoria de sua imagem corporativa, mais alinhadas ao que o atual mercado do futebol exige”. Neste ano, o presidente Sérgio Sette Câmara anunciou a contratação das empresas Ernst & Young e Falconi para prestar consultoria e fazer análise das contas do clube com o objetivo de reduzir gastos.

Além de tentar colocar a casa em ordem, Sette Câmara também quer investigar a própria gestão e as administrações anteriores. Para isso, contratou a Kroll, empresa que prestou serviços ao Cruzeiro no início deste ano e fez uma devassa na gestão de Wagner Pires de Sá.

(Fábio Rocha/Itatiaia BH)

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