Foto: Reprodução/Google Street View

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), negou que as informações contidas em um boletim de ocorrência (B.O) registrado pela Polícia Militar de que dezenas de corpos deram entrada em uma funerária do bairro Nova Gameleira, região Oeste de Belo Horizonte, com a causa da morte relacionada aos sintomas do coronavírus. As vítimas teriam faixa etária entre 49 e 90 anos.

“Uma das bandeiras do meu governo é a transparência. Se alguém está fazendo isso aqui é por conta dele e não nossa. Acho que ninguém teria interesse. O que eu percebo nessa situação é que alguém pegou um dado e vazou como se algo que não está acontecendo estivesse acontecendo”, frisou Zema.

De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada na noite de domingo (22), por meio de denúncia anônima, para a funerária. Quando chegaram ao local, os policiais foram recebidos pelo gerente do estabelecimento, que alegou que desde sexta-feira (20) haviam sido recebidos 73 cadáveres, número considerado elevado para a rotina do estabelecimento. Desses, 23 estavam com diagnósticos sintomáticos relacionados à Covid-19, como “insuficiência respiratória aguda, pneumonia crônica ou aspirativa”.

A informação foi confirmada pelo gerente do estabelecimento à Itatiaia. No B.O, o homem disse que em 30 anos de profissão não se recordava de receber quantidade de corpos tão grande em um intervalo tão pequeno de tempo.

Posicionamento da funerária

Em nota, a funerária Grupo Zelo desmentiu o funcionário e declarou que o número de corpos que chegaram ao local aumentou nos últimos dias, mas “nada que possa ser considerado significativo” e que está dentro da normalidade para esta época do ano. Além disso, a empresa negou que tenha recebido corpos infectados por coronavírus porque não houve nenhum comunicado dos hospitais.

“Quando há o caso específico de risco biológico para doença infecto-contagiosa como a Covid-19, a recomendação das autoridades de vigilância sanitária é de não se fazer a tanatopraxia, ou seja, o corpo deve ser levado ao laboratório, onde é colocado na urna. A mesma deve ser lacrada e enviada imediatamente para sepultamento”, explicou a funerária, que continuou: “Nesses casos, o hospital deve comunicar imediatamente a funerária no momento da remoção, o que não ocorreu até o momento presente”.

O que diz a Polícia Militar

O porta-voz da Polícia Militar de Minas Gerais, major Flávio Santiago, confirmou a veracidade do B.O, mas ressaltou que as informações foram apenas registradas e serão apuradas. “Trata-se de um boletim de ocorrência feito por um militar. Entretanto, ele não faz juízo de valor, ele relata situações que são repassadas por um denunciante. É claro que a Polícia Militar já tomou procedimentos, encaminhou à polícia investigatória para que isso seja melhor definido”, disse.

O major explicou, porém, que há um equívoco na versão dada pelo gerente da funerária no boletim de ocorrência. “Mas já tem uma informação que é extremamente importante. O caso relatado de uma pessoa falecida oriunda do Hospital Militar não é verídico. Então, é importante que não criemos pânico desnecessário, inclusive com situações que estão em apuração”, afirmou.

Secretaria de Estado de Saúde

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde disse que a situação é avaliada e acompanhada por órgãos competentes. “Vale ressaltar que não há, até o momento, nenhum caso confirmado de óbito por Covid-19 no estado de Minas Gerais. Tão logo as informações sejam apuradas adequadamente daremos os devidos esclarecimentos”, destacou.

Números oficiais de casos de coronavírus em Minas

Até o momento, Minas Gerais não registrou nenhuma morte por coronavírus, de acordo com o último boletim divulgado nesta segunda-feira pela Secretaria de Estado de Saúde. São 128 casos confirmados de Covid-19, sendo que 7.766 são tratados como suspeitos.

Os casos confirmados em Minas foram notificados por 12 municípios: Belo Horizonte (60); Betim (1), Bom Despacho (1), Campos Altos (1), Contagem (1), Coronel Fabriciano (1); Divinópolis (1); Ipatinga (1); Juiz de Fora (8); Lagoa da Prata (1), Mariana (2); Nova Lima (7); Patrocínio (1); Poços de Caldas (1); Sete Lagoas (2); Timóteo (1), Uberaba (3) e Uberlândia (6).

 

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