Foto: Rômulo Ávila/Itatiaia

O protocolo divulgado pelo Ministério da Saúde, para aplicação da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da covid-19 gera impasses, principalmente por não haver comprovações científicas quanto à eficácia. A compra está condicionada à apresentação de receita médica, mesmo assim, os médicos não são obrigados a seguir o protocolo. O médico Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, contesta a medida do governo e alerta sobre os riscos.

“A liberação do uso de cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves ela é muito questionável dentro dos meios científicos porque nós não temos ainda estudos que definam se isso pode ou não interferir positivamente no andamento no transcorrer de uma infecção. Eu acredito que isso pode ser feito, mas dentro de protocolo de pesquisa onde você terá resultados que irão nortear. Então qualquer um que quiser pesquisar cloroquina ou hidroxicloroquina para esses pacientes deveriam fazer dentro de estudos e pesquisas que pudessem beneficiar depois a coletividade com os resultados”.

De acordo com o infectologista, os protocolos deveriam ser feitos com eletrocardiograma, no início e durante o tratamento, e com possibilidade imediata de retorno a centros de controle, para o caso de o paciente sentir-se mal. “Ou seja, ou não se usa essas medicações ou se faz dentro de protocolos de pesquisa e com todo o controle de efeitos colaterais necessários para a segurança do cidadão”, ressaltou.

A prescrição dos medicamentos, segundo o protocolo, é individual e fica a cargo de cada médico. Estêvão Urbano reitera que “não é porque existe um protocolo recomendando que o médico deverá obrigatoriamente fazer. A decisão é sempre dele (médico) em discussão conjunta com o paciente. O protocolo serve apenas como uma fonte de consulta e sugestões”.

(Itatiaia BH)

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