Por: Itatiaia BH

O vice-presidente de futebol do Cruzeiro, Itair Machado, foi afastado do cargo nesta quarta-feira por decisão liminar (provisória), concedida pelo juiz Octávio de Almeida Neves, da 12ª Câmara Cível de Belo Horizonte. O magistrado deferiu o pedido de tutela de evidência recursal impetrado por um grupo de sócios e conselheiros do clube nessa terça (9).

Na liminar, o juiz determinou que Itair Machado seja impedido de exercer o cargo de vice-presidente de futebol e de se valer da procuração firmada com o Cruzeiro para ter plenos poderes no clube.

Itair Machado poderá recorrer da decisão na Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Caso recorra, o dirigente seguirá afastado do cargo até o julgamento.

Por meio da assessoria de imprensa do Cruzeiro, Itair Machado informou que não irá se pronunciar sobre o afastamento: “O caso está entregue aos meus advogados. Nem eles, nem eu falaremos sobre o assunto”.

Em nota, o Cruzeiro disse que “tomou conhecimento da decisão judicial que determina o afastamento do Vice-presidente de Futebol, Itair Machado de Souza, das suas funções, e que tomará as medidas administrativas e jurídicas que o caso requer.”

No recurso impetrado pelos conselheiros e sócios do clube na última terça (9), eles justificaram a intervenção judicial pela ‘inércia do Conselho Deliberativo do Clube em afastar o dirigente’. “Pois se observa, há incontroversa irregularidade na nomeação e na manutenção do Réu Itair como dirigente do Cruzeiro Esporte Clube, assim como há uma descabida inércia do Conselho Deliberativo do Clube em afastar o dirigente, uma vez que a Lei estatuto falam em AFASTAMENTO IMEDIATO!”

O grupo de conselheiros argumentou ainda que Itair ocupa o cargo de vice-presidente de futebol por indicação e não foi eleito para tal. Assim, ele poderia ser afastado da função caso a presidência do clube quisesse.

“Vejam que basta ser associado do clube para ocupar o cargo de Vice-Presidente de Futebol. Os cargos descritos no §1° do artigo 30 não exigem a realização de eleição para sua ocupação e são preenchidos por associados do clube, pois são de livre nomeação e exoneração, conforme critério da presidência do Clube”, diz um trecho do documento. “Ora, a distinção dos cargos eletivos é mais do que evidente. Não faz sentido citar destituição (art. 6° do Estatuto) prevista para cargos eletivos ao abordar o afastamento de cargo de livre nomeação.”, complementa.

No mesmo recurso, os conselheiros e sócios também disseram que a ação era para pedir o afastamento de Itair enquanto ocorrem as investigações, e não a saída em definitivo (destituição) conforme citado pela juíza. “Também equivocou-se a MM. Julgadora ao abordar a destituição do Vice-Presidente de Futebol, sendo que o pedido foi de afastamento.”

No pedido inicial de afastamento, o grupo afirmou que a nomeação de Itair para o cargo de vice-presidente fere os artigos 30 do Estatuto do clube e 23 da Lei Pelé porque contra ele há condenações trabalhistas, previdenciárias e criminais. Além disso, diz o documento, há fortes indícios de gestão temerária/fraudulenta junto ao Cruzeiro.

A atual diretoria do Cruzeiro é alvo de uma investigação da Polícia Civil de Minas Gerais e do Ministério Público por crimes como falsificação de documentos e apropriação indébita. Na última terça-feira (9), a polícia apreendeu documentos, celulares e computadores ao cumprir 16 mandados de busca e apreensão nas sedes do clube e da torcida organizada Máfia Azul e em imóveis de Itair, do presidente celeste, Wagner Pires de Sá, do diretor-geral, Sérgio Nonato.

Uma reunião extraordinária foi marcada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, Zezé Perrella, para o dia 5 de agosto para definir o futuro do mandatário Wagner Pires de Sá e dos outros membros da direção.

Para justificar o agendamento da reunião somente para o próximo mês, Perrella citou os compromissos decisivos que a equipe terá em julho – clássicos contra o Atlético, pelas quartas de final da Copa do Brasil, e os duelo diante do River Plate, pelas oitavas da Libertadores.

Além disso, na visão do presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, até lá, a comissão de sindicância terá tempo para concluir os trabalhos de investigação de supostas irregularidades no clube e os membros do Conselho Fiscal já estarão eleitos.

 
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