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Chacina de Unaí: Antério Mânica é condenado a 64 anos e vai recorrer em liberdade

Em janeiro de 2004, três auditores do Ministério do Trabalho e um motorista foram assassinados | Foto: TV Globo / Reprodução

Antério Mânica, ex-prefeito de Unaí, foi condenado na noite desta sexta-feira (27) a 64 anos de prisão como mandante da Chacina de Unaí, ocorrida em 2004 no noroeste de Minas. No entanto, o empresário não cumprirá a pena preso, já que obteve um habeas corpus para recorrer em liberdade. Após quatro dias de sessão na Justiça Federal, em Belo Horizonte, os sete jurados decidiram pela condenação do empresário. Durante a semana, foram ouvidas 19 testemunhas, sendo cinco de defesa e 12 de acusação.

Os auditores fiscais do Ministério do Trabalho Nélson José da Silva, João Batista Soares Lage e Eratóstenes de Almeida Gonçalves, e o motorista Aílton Pereira de Oliveira foram assassinados em 28 de janeiro de 2004, em uma emboscada na zona rural de Unaí. Eles investigavam denúncias de trabalho escravo na região onde os irmãos Mânica possuem propriedades rurais. Antério e Norberto Mânica chegaram a ser condenados a 100 anos de prisão, em 2015, no Tribunal do Júri da Justiça Federal, mas em 2018 o Tribunal Regional Federal anulou a condenação de Antério, por 2 votos a 1, e determinou novo julgamento.

Norberto assumiu que encomendou as mortes dos trabalhadores que fiscalizavam as fazendas dos empresários. A defesa sustenta que Norberto é o único mandante, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) acusa Antério também como responsável pelos quatro homicídios.

Rei do feijão

Um dos maiores produtores de feijão do Brasil, Antério Mânica era alvo frequente de fiscalizações trabalhistas, a maioria delas realizada pelo auditor fiscal do trabalho Nelson José da Silva, lotado na gerência Regional do Trabalho de Paracatu (MG).

Em novembro de 2018, a 4ª Turma do TRF1 decidiu, no julgamento dos recursos, por dois votos a um, que Antério deveria ser julgado novamente pelo Tribunal do Júri, anulando a decisão de 2015.

Os desembargadores Neviton Guedes e Olindo Menezes não seguiram o voto do relator, o desembargador Cândido Ribeiro, que manteve a sentença condenatória do réu. Os votos contrários alegaram a insuficiência de provas da participação de Antério no crime. O irmão, Norberto, também confessou ser o único mandante da Chacina de Unaí.

Outros acusados

Segundo a acusação, os empresários Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro foram os intermediários dos quatro homicídios. Eles foram condenados após confirmar participação nas mortes. Já os atiradores foram condenados em 2013 – Rogério Alan pegou 94 anos de prisão, Erinaldo Silva, recebeu pena de 76 anos, e William Gomes, de 56. Francisco Elder Pinheiro, que teria contratado os atiradores, morreu em 2013 antes de ser julgado.Humberto Ribeiro dos Santos, não foi julgado pois teve a pena prescrita.

 

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