Oswaldo Diniz/Itatiaia

Ao prender na manhã desta terça-feira líderes das torcidas organizadas Máfia Azul e Pavilhão Independente, do Cruzeiro, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) afirmou ter enviado à Federação Mineira de Futebol (FMF) o pedido de banimento dos dois grupos por 1 ano em todo o país. A FMF só deve se decidir em janeiro, pois, em nota, explicou não ter sido notificada pelo órgão, já que está em recesso e volta aos trabalhos no dia 6 do mês que vem.

Segundo a promotora Vanessa Fusco, da Promotoria de Combate aos Crimes de Consumo, o banimento seria com a proibição de que indivíduos fossem aos estádios ou aos arredores com caracterização dessas organizadas. “Estamos aperfeiçoando, com experiências de outros países e de outros estados, essa metodologia de fazer melhor o reconhecimento dessas pessoas”, afirmou.

A Justiça expediu 16 mandados de prisão temporária (de cinco a dez dias) e 20 de busca e apreensão contra as torcidas em Belo Horizonte, Contagem, Betim, Vespasiano e Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana; e Barão de Cocais e João Monlevade, na região Central de Minas. Até o momento, oito pessoas foram detidas, entre líderes e membros com poder nas duas torcidas, sendo cinco da Máfia Azul e três da Pavilhão Independente.

Quatro delegados, 110 investigadores, 40 policiais militares e dois promotores de Justiça participam da operação, batizada de Voz da Arquibancada.

O MPMG cita como motivo para a ação as diversas brigas entre as duas torcidas neste ano e a quebradeira provocada no Mineirão na derrota de 2 a 0 do Cruzeiro para o Palmeiras, no encerramento do Campeonato Brasileiro. O jogo sacramentou o primeiro rebaixamento da história do clube celeste. “Esses confrontos têm gerado grave perturbação à ordem pública, danos ao patrimônio público e privado e colocado em risco a integridade física de torcedores”, disse em nota.

“Já não bastasse a série de confrontos generalizados ocorridos entre as torcidas Máfia Azul e Pavilhão Independente, no dia 8/12/19, a torcida Máfia Azul protagonizou mais uma cena de vandalismo. Foi a principal responsável pela quebradeira em várias partes do Estádio Mineirão. Centenas de cadeiras quebradas, dezenas de televisões danificadas, banheiros quase que totalmente destruídos, bebedouros arrancados, vidros quebrados, etc. Inúmeras cadeiras foram arremessadas para os setores inferiores e campo de jogo, colocando em risco a integridade dos torcedores, muitos deles com crianças”, destacou o órgão.

Os integrantes das organizadas são investigados pelos crimes de associação criminosa, dano ao patrimônio, lesão corporal, tentativa de homicídio, provocação de tumultos e ameaças.

Cruzeiro

O diretor de Comunicação do Cruzeiro, Valdir Barbosa, declarou que “o clube espera que o MPMG aja de acordo com a lei porque o futebol precisa ser protegido destas questões, principalmente do vandalismo que aconteceu no estádio.”

(Itatiaia BH)

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